Indicadores econômicos e de consumo de energia registram retomada na atividade industrial nos três primeiros meses de 2021. 

Continuidade da tendência de alta é incerta devido às dificuldades sanitárias enfrentadas pelo Brasil na contenção da pandemia de Covid-19.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou terça-feira, 01/06/2021, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil relativos ao primeiro trimestre de 2021. 

O resultado foi de crescimento de 1,2%, levemente acima da expectativa para o período. Em comparação com os dados do primeiro trimestre de 2020, o PIB avançou 1% – no início de 2020 foram registrados os primeiros impactos da pandemia na economia. 

Mantendo a mesma base de comparação, foi a primeira alta desde o quarto trimestre de 2019, quando a crise causada pela covid-19 passou a impactar a economia global. 

O consumo de energia em maio/2021 aponta para um crescimento consistente em comparação aos registros do mesmo período de 2020. 

Dados da primeira quinzena de maio/2021 divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam crescimento de 10,5% do consumo no Sistema Interligado Nacional (SIN). 

A conjuntura de maio/2020 estava sob forte impacto dos efeitos da pandemia de Covid-19 no Brasil, o que certamente contribui para o resultado observado em maio/2021. 

Se observarmos separadamente os dados dos mercados regulado e do mercado livre – Ambiente de Contratação Regulada (ACR) e Ambiente de Contratação Livre (ACL) – os resultados revelam um forte crescimento no consumo de energia no mercado livre. 

No mercado livre de energia, os consumidores livres (com demanda contratada junto à concessionária local acima de 1,5 MW) lideraram a alta com crescimento de 27,3%, seguidos pelos consumidores especiais (aqueles com demanda entre 500 kW e 1,5 MW), com o consumo crescendo em 20,4%. 

Em relatório divulgado pela CCEE com os dados detalhados por setor, excluindo o efeito das migrações entre de consumidores do mercado regulado para o mercado livre de energia, apenas o setor de telecomunicações apresentou queda, oscilando negativamente em 0,4%. 

Entre os setores com maior crescimento estão o de veículos com 83,9%, o setor têxtil com acréscimo de 79,6%, o setor de serviços com 37,7%, e manufaturados diversos com 28,6%. 

Em uma análise baseada em Estados, foi registrado crescimento em quase todas as regiões, com maiores avanços registrados em Santa Catarina com 15%, Pará e Rio Grande do Sul com crescimento de 14%, São Paulo, Paraná e Espírito Santo com acréscimo de 13%.

Em relação à geração de energia elétrica no Brasil neste mesmo período, com embasamento nos dados prévios da primeira quinzena de maio/2021, observou-se um aumento de 10,8%. 

Analisando a geração a partir das principais fontes, com relação ao mesmo período do ano anterior, todas registraram aumento. 

Destaca-se a elevação na geração pelas usinas térmicas em 26,3% e eólicas em 19,2%. 

Também registraram aumento na geração as usinas hidráulicas (6,5%) e fotovoltaicas (1,9%). 

A variação da geração, no aspecto global e no aspecto individual das fontes é atribuída ao período da pandemia do Covid-19, no ano de 2020, quando foi observada uma redução substancial tanto na geração de energia elétrica quanto no consumo. 

Dados econômicos apresentados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indicam uma recuperação da economia no primeiro trimestre do ano, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. 

Embora os dados preliminares de março/2021 apresentam recuo frente ao mês anterior, também resultado do recrudescimento da pandemia. 

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais, definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, registrou uma queda de 1,2% em relação a fevereiro. 

Esse resultado fez com que o trimestre tenha fechado com crescimento de 4,1% em relação ao trimestre anterior.

Em resumo, os dados relativos à economia brasileira e ao consumo de energia no país revelam um cenário razoavelmente claro de recuperação. 

Embora existam incertezas quanto à continuidade desta trajetória devido ao impacto de medidas sanitárias sobre as atividades econômicas. 

De toda forma, existem indicações suficientes que apontam para uma aproximação ao quadro pré-pandemia. 

A recuperação da atividade industrial no primeiro trimestre, embora discreta, representa uma mudança de tendência comparativamente ao que foi visto em 2020. 

Há incerteza quanto à continuidade desta retomada, tendo em vista a ausência de soluções definitivas sobre a pandemia de Covid-19. 

A aplicação de medidas sanitárias de restrição à circulação por parte das autoridades de saúde pode impactar negativamente esta tendência.

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